Blumenau 80 E-mail
Quem viveu (de verdade) em Blumenau na década de 80, sabe bem o que foi aquilo...

Tudo bem... foi tempo de inauguração do prédio da nova Prefeitura; da grande enchente de 1983, que fez a cidade ficar conhecida no País inteiro; da criação e primeiras edições da Oktoberfest, que levou o nome de Blumenau para o mundo. Foi tempo de Isabel Beduschi, blumenauense, tornar-se Miss Brasil; da grande greve dos trabalhadores da indústria têxtil, que surpreendeu a todos na pacata e trabalhadora cidade; da hegemonia constante do esporte amador da loira terra nos Jogos Abertos de Santa Catarina.

Mas foi tempo, também, de muita, mas muita festa. E eram festas das boas, da melhor qualidade. Quem curtiu, jamais esquecerá... na primeira metade da década, as festas nos clubes eram verdadeiramente demais: Guarani, Caça e Tiro Blumenauense e até mesmo o Alvorada, no vizinho município de Gaspar, ficavam lotados de gente boa, bonita e muito a fim de festa. O som que rolava também era especial. Talvez até por influência de que, nos anos 80, muita coisa boa (no meio da cáca de sempre) acabou caindo na mídia. E acabou agitando as festas. A casa noturna da época era a Eagles, ali na rua Sete (sem Shopping), numa baixada que mais parecia um porão, onde hoje fica o bonito prédio do Instituto da Visão. Em frente, onde hoje é o Shopping Neumarkt, ficava um carrinho de lanches – o Madrugão. Ali a festa não tinha fim – e a gente se acabava.

Também não dá pra esquecer das festinhas particulares. As turmas faziam suas festas, às vezes para comemorar um aniversário, às vezes outra coisa. Não importava. Qualquer lance era motivo pra comemorar e fazer uma festa. Em casa, num clube, tudo valia. Era um tal de correr atrás de som, carregar, montar, escolher as músicas que iam rolar na noite. Não podia faltar uma iluminação “meia-boca” para dar um ar de casa noturna. E aí... até “bicão” era bem recebido. Que barato... dava pra dançar o que a gente queria, pois quem fazia a festa é que escolhia a seleção musical.

Depois veio a segunda metade da década que oficializou a Alameda Rio Branco como a rua da galera. Com as duas melhores casas noturnas que já rolaram na cidade, Baturité (onde hoje é a Academia Master) e Eagles (onde até bem pouco funcionava o Coliseum), as noites de sexta e sábado se tornaram inesquecíveis. Ao som de The Cure, Legião Urbana, The Smiths, Lobão, The Police, Capital Inicial e tantas, tantas outras bandas (são tantas naquela época de ouro do rock que é difícil até mesmo lembrar de todas, logo não caberia tudo aqui...) a galera curtia até o dia amanhecer. E se demorasse pra amanhecer, a gente esperava batendo um papo na própria Alameda ou indo fazer um lanche num dos X da época. Mas a Alameda não era só as duas casa noturnas não. Tinha uns barzinhos super legais como o Chaplin, A Napolitana, o Velho Navio... era ali que rolava o ‘esquenta’ – ou nos carros com porta-malas abertos, birita dentro e som (da melhor qualidade) embalando o encontro e conversê de caras e gatas, de uma galera que adorava uma azaração...

Cara, era demais... quem não viveu esse auge da noite blumenauense, não tem idéia da história. E apesar do lance de curtir a vida a mil por hora, todo mundo era da paz. Eram raros os bebuns que enchiam o saco e provocavam uma briga pra estragar o clima de todos na noite. Mas não havia maldade, era cara cheia mesmo, bem diferente dos tempos atuais.

E aos domingos... bem, aos domingos ainda tinha o Cine Bush, o Sub e a recém inaugurada Rivage. Eram as opções para o final de tarde, depois que a galera batia ponto... onde? hein? hein? Na Alameda, claro.

E olha que não falamos dos festivais, do FUC (Festival Universitário da Canção), dos grupos locais como Sementes da Terra, Grifo, dos darks Voodo Vampires, dos punks do Projetos Desfeitos e outros que fizeram a cabeça da rapaziada por alguns bons anos. Dos musicais Blumenália do Guido Heuer, que mais tarde desembocaram nos Rock na Rua. E de tanta gente boa que curtiu tudo isso naquela época, muitos dos quais não encontramos mais. Mas esperamos que eles também nos descubram e venham para o site e para o Clube Anos 80... afinal, mais do que fazer parte da história, cada um é um pedacinho desta própria história.
 
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